quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mouras Encantadas...



Desde pequena que oiço falar em lendas de Mouras Encantadas no Algarve… presas em fontes, em castelos… condenadas à infelicidade eterna em prol de uma felicidade maior… Estas mouras eram a mais fina-flor árabe, de beleza incontestável e encanto incontornável… São mouras que conhecemos porque fogem, porque se lamentam, mas sobretudo porque ainda hoje surgem neste mundo cristianizado, materializando-se na imaginação do povo.

Quantos de nós não ouvimos falar da Moura que está presa na fonte do Castelo de Loulé, ou da princesa nórdica para quem um governador mouro mandou plantar centenas de amendoeiras… Mas é em noite de São João que se diz que elas surgem, envoltas na sua beleza e lamentos como a Moura do Castelo de Silves que neste dia, precisamente à meia-noite, aparece na Cisterna Grande do Castelo (Cisterna chamada Mourisca) navegando sobre as águas, numa barca de prata com remos de ouro, entoando hinos da sua raça. Esta linda moura encantada aguarda eternamente a chegada do príncipe que irá proferir as palavras que a libertarão finalmente do seu encantamento.

domingo, 25 de novembro de 2007

Tempus Fugit...


O tempo passa tão depressa, e de uma forma tão curiosa, que por vezes não damos conta do tempo que passou.
Ontem... ontem tinha 14 anos e estava a preparar uma festa de máscaras para poder realizar uma viagem de finalistas. Estava no 9ºano e os meus objectivos eram a curto prazo.Hoje... o dia de hoje é consideravelmente diferente...
Hoje trabalho e acordo diariamente com o objectivo de rentabilizar o meu dia e cumprir as minhas obrigações. Isto, ao mesmo tempo que olho para trás e revejo todo o meu percurso... Já fui aluna de colégio, protegida, mimada, enfim, já fui um cordeirinho. Passei pela Escola Secundária onde podia ter mostrado a minha rebeldia, mas nunca despi a pele de cordeiro, e sem grandes sacrificios ou notoriedade de lá sai. Entrei então na Faculdade.... ai que saudades que eu tenho dos tempos em que por lá deambulei de livros no regaço.
Por vezes bastam pequenos eventos ou encontros fortuitos para que tudo nos torne à memória e, sem dó nem piedade, nos apercebamos da realidade. O tempo foge! Corre célere pelos trilhos do presente, sempre em direcção ao futuro, sem olhar para trás.
Recupero o meu passado, mas não sei se saberei responder à pergunta que há pouco me fizeram... Quem era eu nos tempos em que calcorreava as lages do meu Colégio?! Uma criança talvez... nada mais do que uma miúda mimada e protegida que um dia cresceu e se tornou numa mulher... seria esta a resposta adequada?!!!

Sed fugit interea fugit irreparabile tempus.

terça-feira, 14 de agosto de 2007


Lugar de uma intensa beleza e topónimo geográfico retirado da imaginação de um escritor, o lugar e Quinta de Tormes são verdadeiramente inesquecíveis.

Perdido algures nas Serras do Douro Sul, entre o Porto e a Régua, este lugar é muito mais do que um simples topónimo. Tormes é ao mesmo tempo a Quinta de Jacinto, na conhecida obra A Cidade e as Serras, e a Quinta que pertenceu a Eça de Queiroz, albergando actualmente uma fundação com o nome do escritor.

A vista da eira da casa, permite-nos perder o nosso olhar por vales e serras e encontrar entre a densa vegetação a última morada de Eça de Queiroz. Pena que poucos sejam aqueles que o visitam e tantos os que o votam ao esquecimento...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Um dia o Amor virou-se para a Amizade e disse:
- Para que existes tu, se já existo eu?















A Amizade respondeu:
- Para repor um sorriso onde tu deixaste uma lágrima.

sábado, 24 de fevereiro de 2007


Era uma vez uma história

acabava antes de começar
e começava depois do fim

os seus heróis entravam nela
depois de terem morrido
e abandonavam-na
antes de nascerem

os seus heróis falavam
de um certo mundo de um certo céu
diziam toda a espécie de coisas

só não diziam
o que eles próprios não sabiam
que eram apenas heróis de uma história

de uma história que acaba
antes de começar

e começa
antes de acabar



Vasco Popa

domingo, 28 de janeiro de 2007


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado)


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill
(selecção de Susana)

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Lágrima de Preta


Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o mesmo costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


António Gedeão

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Palavras...

Palavras... palavras leva-as o vento. Já pensaram em quantas palavras dizemos por dia? Multipliquem esse número, porque de certeza que se estão a esquecer de todas aquelas que pronunciamos, de uma forma pouco audível no nosso cérebro, de cada vez que esboçamos um pensamento.

Às vezes, são tantas as palavras que dizemos que depressa nos esquecemos do que foi dito. Ora, não será verdade que, mesmo depois de uma boa discussão, conseguimos esquecer tudo aquilo que dissemos? Pois é... é nestas alturas que o ditado se aplica. Palavras leva-as o vento, para nunca mais voltarem atrás.

Dito desta forma, até parece que estou a dizer que as palavras são qualquer coisa sem importância, que só interessam como meio de comunicação. Mas não... as palavras... as palavras são algo de muito precioso. Uma das coisas mais preciosas que temos nesta vida. E porquê? A resposta é simples. Porque nós lhes damos importância. Porque elas têm poder.
Existem tantos outros ditados sobre palavras... Se tentasse enumerá-los encheria este meu cantinho...

Mas de todos aqueles que conheço e utilizo, há um, para mim, mais verdadeiro do que todos os outros. Diz-se que "as palavras são como punhais". Concordarão, certamente, comigo quando digo que esta é uma verdade quase universal, especialmente porque todos nós, num momento ou noutro, já sentimos na pele o cortar destes punhais que atravessam o tempo e o espaço. Punhais que atravessam qualquer obstáculo e chegam tranquilamente aos ouvidos dos seus destinatários.
Felizmente para nós, é tudo uma questão de contexto. Palavras leva-as o vento e eu espero que leve também o sibilar cortante das que são atiradas de uma forma cruel. Estamos a chegar a uma época festiva, e tudo o que quero são palavras repletas de amor e carinho. Igualmente poderosas, é certo, mas mais saborosas de ouvir.

Quero ouvir palavras que me consolem e acarinhem, que transmitam o espírito do Natal e nos permitam sonhar. Quero ouvi-las doces e alegres. Quero sorrir com elas e rir com prazer. Quero desejar um Feliz Natal a plenos pulmões, para que desta forma as minhas palavras tomem consistência e se realizem.

Não quero que o vento leve para longe este meu voto de Boas Festas.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Portinho da Arábida


Quando procuramos um pouco de tranquilidade, por que não dirigir os nossos passos para o fantástico Portinho da Arrábida?

Que mar azul e tranquilo! Que bom poder perder-me na sua beleza e sonhar com o céu reflectido nas suas águas...

domingo, 19 de março de 2006

Maçãs

"As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos."



"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados...Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."


(Machado de Assis)