domingo, 25 de novembro de 2007

Tempus Fugit...


O tempo passa tão depressa, e de uma forma tão curiosa, que por vezes não damos conta do tempo que passou.
Ontem... ontem tinha 14 anos e estava a preparar uma festa de máscaras para poder realizar uma viagem de finalistas. Estava no 9ºano e os meus objectivos eram a curto prazo.Hoje... o dia de hoje é consideravelmente diferente...
Hoje trabalho e acordo diariamente com o objectivo de rentabilizar o meu dia e cumprir as minhas obrigações. Isto, ao mesmo tempo que olho para trás e revejo todo o meu percurso... Já fui aluna de colégio, protegida, mimada, enfim, já fui um cordeirinho. Passei pela Escola Secundária onde podia ter mostrado a minha rebeldia, mas nunca despi a pele de cordeiro, e sem grandes sacrificios ou notoriedade de lá sai. Entrei então na Faculdade.... ai que saudades que eu tenho dos tempos em que por lá deambulei de livros no regaço.
Por vezes bastam pequenos eventos ou encontros fortuitos para que tudo nos torne à memória e, sem dó nem piedade, nos apercebamos da realidade. O tempo foge! Corre célere pelos trilhos do presente, sempre em direcção ao futuro, sem olhar para trás.
Recupero o meu passado, mas não sei se saberei responder à pergunta que há pouco me fizeram... Quem era eu nos tempos em que calcorreava as lages do meu Colégio?! Uma criança talvez... nada mais do que uma miúda mimada e protegida que um dia cresceu e se tornou numa mulher... seria esta a resposta adequada?!!!

Sed fugit interea fugit irreparabile tempus.

terça-feira, 14 de agosto de 2007


Lugar de uma intensa beleza e topónimo geográfico retirado da imaginação de um escritor, o lugar e Quinta de Tormes são verdadeiramente inesquecíveis.

Perdido algures nas Serras do Douro Sul, entre o Porto e a Régua, este lugar é muito mais do que um simples topónimo. Tormes é ao mesmo tempo a Quinta de Jacinto, na conhecida obra A Cidade e as Serras, e a Quinta que pertenceu a Eça de Queiroz, albergando actualmente uma fundação com o nome do escritor.

A vista da eira da casa, permite-nos perder o nosso olhar por vales e serras e encontrar entre a densa vegetação a última morada de Eça de Queiroz. Pena que poucos sejam aqueles que o visitam e tantos os que o votam ao esquecimento...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Um dia o Amor virou-se para a Amizade e disse:
- Para que existes tu, se já existo eu?















A Amizade respondeu:
- Para repor um sorriso onde tu deixaste uma lágrima.

sábado, 24 de fevereiro de 2007


Era uma vez uma história

acabava antes de começar
e começava depois do fim

os seus heróis entravam nela
depois de terem morrido
e abandonavam-na
antes de nascerem

os seus heróis falavam
de um certo mundo de um certo céu
diziam toda a espécie de coisas

só não diziam
o que eles próprios não sabiam
que eram apenas heróis de uma história

de uma história que acaba
antes de começar

e começa
antes de acabar



Vasco Popa

domingo, 28 de janeiro de 2007


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado)


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill
(selecção de Susana)