
Desde pequena que oiço falar em lendas de Mouras Encantadas no Algarve… presas em fontes, em castelos… condenadas à infelicidade eterna em prol de uma felicidade maior… Estas mouras eram a mais fina-flor árabe, de beleza incontestável e encanto incontornável… São mouras que conhecemos porque fogem, porque se lamentam, mas sobretudo porque ainda hoje surgem neste mundo cristianizado, materializando-se na imaginação do povo.
Quantos de nós não ouvimos falar da Moura que está presa na fonte do Castelo de Loulé, ou da princesa nórdica para quem um governador mouro mandou plantar centenas de amendoeiras… Mas é em noite de São João que se diz que elas surgem, envoltas na sua beleza e lamentos como a Moura do Castelo de Silves que neste dia, precisamente à meia-noite, aparece na Cisterna Grande do Castelo (Cisterna chamada Mourisca) navegando sobre as águas, numa barca de prata com remos de ouro, entoando hinos da sua raça. Esta linda moura encantada aguarda eternamente a chegada do príncipe que irá proferir as palavras que a libertarão finalmente do seu encantamento.

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