segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O tempo das palavras...

Passou-se mais de um ano desde que aqui escrevi pela última vez... e tanta tinta já correu que não saberia por onde começar...


Nada se escreve por acaso, não se inscreve no tempo sem um motivo. Deixei de escrever porque me faltaram as palavras e quiça o tempo para me inspirar... mas uma chamada de atenção no tempo certo acordou-me da minha letargia...


Para tal inspirei-me no mais intrigante "documento" alguma vez escrito: a pedra de roseta. Um simples bloco de granito preto que inscreve um decreto-lei do corpo sacerdotal do Egipto em três línguas distintas: Hieróglifos, Demódico egipcio e Grego clássico. (Como é natural, e considerando que esta pedra foi encontrada no tempo de Napoleão Bonaparte, só o grego foi entendido e foram precisos anos para se perceber que era apenas uma a mensagem a da pedra e que as diferentes línguas tinham como objectivo transmitir uma mensagem a vários povos...)


Assim coloca-se a questão: qual a verdadeira importância deste decreto? Porque a necessidade de transmiti-lo em várias línguas? Talvez a verdade resida no mais simples e mais abstracto de todos os conceitos: tempo. Ou simplesmente na vaidade humana que nos impele a deixar para trás um pouco de nós, a escrever para que alguém leia posteriormente....


Esta pedra é um exemplo dessa "vaidade humana", mas também um marco de engenho do passado e do presente, porque nada se escreve por acaso, nem se pretende que desapareça sem nunca ter sido lido.



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